ENVELHECERES — Envelhecer bem é possível

Índice

Introdução

Neste artigo queremos alertar para uma reflexão necessária, profissionalemente transversal e pertinente em termos etários e políticos, sobre a economia da saúde, a «síndrome das evidências» e o negócio da doença, tendo-se por orientação a seguinte questão de partida:

Vivemos mais, mais medicados — e com menos prevenção.

A medicina moderna é uma conquista civilizacional. A esperança média de vida aumentou, a mortalidade infantil caiu, e doenças outrora fatais tornaram-se crónicas e controláveis.

Mas há um paradoxo que se instala: vivemos mais, mas não necessariamente melhor. Vivemos mais tempo, mas com menos autonomia, mais limitações, e mais comprimidos. A longevidade saudável ainda é uma miragem!

A evidência científica impulsionou avanços terapêuticos, sem dúvida. Mas será que olha para todos os lados da saúde? Será que o foco na medicação “curativa” não está a eclipsar o potencial da suplementação “preventiva”?

E será que o modelo económico da saúde está a perpetuar a doença em vez de a evitar?

É importante reflectir sobre o que se estuda, o que se ignora, o que se financia e que economia da saúde queremos. Por que razão os suplementos — que poderiam estar a montante da medicação ou em protocolos integrativos — continuam à margem da evidência? Por que não são comparticipados? Quem ganha com isso?

Evidências, cidadania, longevidade e saúde

O envelhecimento da população é “uma oportunidade para se colocar o foco numa perspetiva positiva de promoção da saúde ao longo da vida” (Canhestro; Basto: 2016: 30)[1].

Efetivamente, uma saúde sustentada em adequadas medidas de prevenção, acabará por contribuir também para a consciencialização individual e coletiva de que cabe ao cidadão ser o guardião da sua saúde, de que cabe à política promover a literacia em saúde, de que cabe às corporações envolvidas compreenderem o papel do cidadão, para além do seu papel de paciente/ cliente.

Ter um estilo de vida saudável, promotor de uma boa longevidade, está no domínio do cidadão, pelo que é necessário consciencializar para que “um estilo de vida saudável é mais influente do que os fatores genéticos na manutenção da saúde ao longo do processo de envelhecimento” (Canhestro; Basto: 2016: 30).

De certa forma, para promover os estilos de vida saudáveis é importante alterar o foco do tradicional modelo biomédico de prevenção da doença e mudança comportamental, para um outro centrado na manutenção de um estado positivo de saúde, com maior prevenção e participação do cidadão, maior multidisciplinaridade e visão clínica mais integrativa, onde a suplementação poderá ter um papel importante.

A evidência que cura… mas não previne?

A medicação como conquista… e como dependência

É inegável o papel da medicação no aumento da longevidade. Antibióticos, vacinas, estatinas, anti-hipertensivos, antirretrovirais — são marcos da história da saúde pública.

A indústria farmacêutica investe bilhões em ensaios clínicos, regulações, e inovação terapêutica. E com razão: a medicação salva-vidas. Todavia, em termos de negócio, tem um substancial retorno!

Ensaios clínicos: foco na doença, não na saúde

Mas há um limite estrutural. A maioria dos medicamentos não cura — controla. Reduz sintomas, estabiliza parâmetros, adia complicações.

E isso tem um custo: dependência terapêutica, efeitos secundários cumulativos, polimedicação com o avançar dos anos, muitas vezes em resultado da falta de articulação entre especialidades, e uma saúde que se mede em valores laboratoriais, não em bem-estar funcional.

O olhar clínico moldado pela farmacologia

A evidência científica, neste contexto, é robusta — mas também dirigida. Os ensaios clínicos são desenhados para validar moléculas, não para explorar estilos de vida. O foco está na doença, não na saúde. E isso molda o olhar clínico, o ensino médico, e o investimento público.

A medicina moderna é excelente a tratar doenças, mas não estará a ser pobre a promover saúde?

Suplementação — prevenção ignorada pela evidência

Da tradição ao potencial preventivo

Se a medicação é o pilar da terapêutica curativa, a suplementação poderia ser a base da saúde preventiva.

“O Papiro Ebers é um dos tratados médicos mais antigos e importantes que se conhece. Foi escrito no Antigo Egito e é datado de aproximadamente 1 550 a.C … contém mais de 700 fórmulas mágicas e remédios populares”.[2]

A síndrome das evidências: da natureza ao laboratório

Fonte: Redação Revista Amazônia (2025)[3].

Vitaminas, minerais, probióticos, ácidos gordos, adaptogénios — são compostos que, em sinergia com uma nutrição adequada e exercício físico regular, podem reforçar o sistema imunitário, reduzir inflamações silenciosas e prevenir desequilíbrios metabólicos.

O vazio regulatório e científico dos suplementos

Mas há um problema estrutural: os suplementos não são tratados como medicamentos.

Não exigem ensaios clínicos randomizados, não passam por fases de aprovação regulatória, e não têm o mesmo grau de escrutínio científico.

A evidência que os sustenta é frequentemente observacional, fragmentada, ou financiada por marcas com interesses comerciais.

O ceticismo médico e a falta de investimento

Este vazio de evidência não significa ausência de eficácia — significa ausência de investimento. E essa ausência molda o olhar clínico.

Muitos médicos, formados num paradigma farmacológico, olham para os suplementos com ceticismo ou desinteresse. Não por falta de potencial, mas por falta de provas robustas.

A suplementação, quando bem orientada, pode evitar a progressão de estados subclínicos para doenças crónicas. Pode reduzir a necessidade de medicação futura. Pode ser complementar — ou mesmo preventiva.

Mas, para isso, precisa de sair da sombra da evidência e entrar no radar da investigação robusta.

Diferenças entre suplementos e medicamentos

No quadro abaixo a presentam-se algumas diferenças entre a regulamentação dos suplementos e dos medicamentos.

DiferençasSuplementosMedicamentos
Regulação e aprovaçãoNão requerem aprovação prévia por nenhuma entidade reguladora, sendo que a responsabilidade de segurança e eficácia é dos fabricantesRequerem aprovação prévia pela EMA e/ou INFARMED após testes clínicos rigorosos, dependendo do tipo de procedimento
Padrões de segurança e eficáciaDevem ser seguros para consumo, mas não precisam de demonstrar eficáciaPara serem aprovados têm de demonstrar tanto segurança quanto eficácia
Monitorização pós-comercializaçãoA intervenção regulatória ocorre principalmente se ocorrerem problemas de segurança, caso sejam identificadosSão sujeitos a uma monitorização rigorosa e contínua após a entrada no mercado

Fonte: DUARTE, Mafalda Sousa (2024)[4].

Prevenir não compensa? A lógica perversa da economia da doença

O negócio da doença e o retorno terapêutico

A evidência científica não é neutra! E não só no domínio da saúde.

É moldada por interesses, financiamentos e modelos de negócio. Mas na saúde, o negócio é a doença.

A indústria farmacêutica investe onde há retorno. Doenças crónicas como hipertensão, diabetes, osteoporose ou Alzheimer geram consumo contínuo. Um medicamento que estabiliza sem curar garante fidelização terapêutica. Um suplemento que previne e evita a doença… não.

O ciclo perverso da evidência orientada pelo mercado

Os ensaios clínicos são caros, demorados e exigem regulação apertada. Para a indústria, só compensa investir se houver patente, exclusividade e retorno garantido. Os suplementos, por serem naturais ou de uso tradicional, raramente oferecem essa margem.

Resultado: menos estudos, menos evidência, menos credibilidade. Mesmo a fitoterapia tão utilizada pela Medicina Tradicional Chinesa está ancorada nos médicos que a prescrevem.

Este modelo, a meu ver, perpetua um ciclo perverso: investe-se mais na doença do que na saúde!

A ausência de estudos sobre prevenção

Efetivamente, estuda-se mais o tratamento do que a prevenção.

E assim, a evidência científica torna-se um reflexo do mercado — não da necessidade pública.

Acreditem que não é fácil encontrar estudos de evidência sobre suplementos e já perceberam que dou uma particular atenção a protocolos integrativos de suporte à doença de Alzheimer.

Protocolo ReCODE para Alzheimer: Suplementos e Plantas ►

Formação médica — entre o receituário e a prevenção

Currículos médicos e o peso da farmacologia

A formação médica é naturalmente farmacológica. Desde os primeiros anos de faculdade, os futuros médicos aprendem a diagnosticar e a tratar — não necessariamente a prevenir, apesar de a Medicina Preventiva fazer parte do currículo.

Observando um currículo[5], percebe-se que a farmacologia ocupa mais espaço curricular do que a nutrição, o exercício físico ou a suplementação, o que remete para uma visão mais estreita da economia da saúde. E isso molda necessariamente o olhar clínico!

Tempo de consulta e protocolos clínicos

O tempo de consulta é curto, não por opção do médico, mas, pelo que observo, pela burocracia e pelas normas que lhe impõem. Já foi assim na Educação, que conheço bem melhor, onde vi os professores ficarem submersos em inutilidades burocráticas!

Na Saúde, o doente chega com sintomas, o médico responde com medicação. É eficaz, é rápido, é protocolar. Mas será suficiente?

A suplementação, quando mencionada, é muitas vezes vista como “alternativa”, “complementar” ou “não comprovada”. Não por falta de potencial, mas por falta de evidência robusta — e por falta de tempo para explorar caminhos fora da prescrição.

Médicos que desafiam o paradigma

Há exceções, claro!

Médicos que estudam nutrição funcional, que integram suplementação com base em análises laboratoriais, que olham para o doente como um sistema e não como um conjunto de sintomas. Mas são exceções — não a norma. E quando se fala em geriatria as exceções aumentam!

A economia das evidências — números que revelam prioridades

Quanto se está a gastar em medicamentos em Portugal? E em suplementos?

Quais as áreas terapêuticas mais consumidoras de medicamentos e de recursos financeiros?

Quais as áreas terapêuticas que mais pesam no bolso dos utentes?

Há transparência na economia dos suplementos que, paulatinamente, vão ocupando as prateleiras das farmácias?

Quais as categorias de suplementos que mais se destacam? Como se explica o crescimento?

Despesa com medicamentos em Portugal

Na despesa total com medicamentos em 2024, 97% (2 215 920 621 €) cabe aos cuidados hospitalares e 3% (58 859 132 €) aos cuidados de saúde primários.

Segundo o Infarmed, o aumento da despesa com medicamentos em 2024 foi de 9% face a 2023, com um total de 3,5 mil milhões de euros, deduzidas as contribuições da indústria farmacêutica (contratos de financiamento; acordos com a indústria).

No quadro abaixo apresenta-se a distribuição da despesa.

Despesa com Medicamentos em Portugal – 2024[6][7][8]

CategoriaDespesa (€ milhões)Variação (%)Notas
SNS – Total medicamentos3.958,6+11,5%Inclui hospitais, centros de saúde e ambulatório
Utentes – Comparticipação direta920,4+7,1%Pagamento direto nas farmácias
Medicamentos em ambulatório1.683,8Comparticipados em farmácias
Medicamentos em hospitais e centros de saúde (despesa total)2.274,8+16,1% (+ 315,8 M€)Inclui vacinas e administração direta

Fonte: Infarmed, 2024; Observador.pt, 2025.pt; rr.pt, 2025

https://www.infarmed.pt/documents/15786/10121749/dezembro/0334eaa9-c827-e16c-9fc5-7ada4bf9b07d?version=1.0

Áreas terapêuticas com maior consumo

As áreas terapêuticas com maior despesa em medicamentos são a oncologia com 32,9% (747,6 M€), seguida do VIH com 10,6% (240,4 M€) e da Artrite Reumatoide / Psoríase / Doença Inflamatória Intestinal (AR/Psoríase/DII) com 8,7% (196,9 M€)[6].

A síndrome das evidências: despesa por área terapêutica, INFARMED, dez 2024

Fonte: Infarmed, 2024.

Aumento da despesa dos utentes em medicamentos por áreas terapêuticas

As áreas terapêuticas que mais contribuíram para o aumento da despesa com medicamentos por parte dos utentes, incluem:

Áreas terapêuticas com maior crescimento

Área TerapêuticaAcréscimo (€ milhões)Notas
Dislipidemias (colesterol, triglicéridos)+12,9Estatinas e outros hipolipemiantes
Depressão+7,6Antidepressivos
Vacinas+5,0Inclui vacinas conjugadas
Perturbações da micção+4,1Medicamentos urológicos
Estimulantes do SNC+3,8Inclui metilfenidato e similares
Diabetes+3,5Antidiabéticos orais e insulina
Modificadores da secreção gástrica+3,0Inibidores da bomba de protões

Fonte: Observador.pt, 2025.

Número de pessoas envolvidas

Embora os relatórios não indiquem um número exato de utentes, de acordo com o Copilot é possível inferir que:

  • A maioria dos portugueses consome medicamentos comparticipados, especialmente para doenças crónicas como diabetes, hipertensão, colesterol e saúde mental.
  • Estima-se que mais de 5 milhões de pessoas estejam envolvidas diretamente na utilização regular de medicamentos comparticipados, considerando a prevalência das doenças mencionadas e o envelhecimento da população.

O mercado dos suplementos em crescimento

A despesa com suplementos não é discriminada diretamente nos relatórios do Infarmed ou do Orçamento do Estado. Todavia, há estimativas referidas em diferentes fontes.

Despesa Estimada em Suplementos Alimentares – Portugal

IndicadorValor / Observação
Mercado total em 2023 (estimativa do presidente da APARD – Associação Portuguesa de Suplementos Alimentares)200 M€
Vendas em farmácias e parafarmácias até maio de 2024119 M€
Aumento acumulado nas vendas desde 2013+ 90%
Crescimento do mercado entre 2020 e meados de 2023+ 20%
Número estimado de consumidores em Portugal2,3 milhões

Fontes: Jornal Económico, 2023[9]. CNN Portugal, 2024[10]. Grande Consumo.com, 2025[11].

Categorias mais procuradas e fatores de procura

Segundo Bárbara Sousa, do Grande Consumo.com, citando os dados recolhidos pelo KuantoKusta, a procura por suplementos alimentares em Portugal cresceu quase 22% em julho de 2025.

No que toca às categorias de suplementos que mais se destacam em Portugal, no quadro abaixo está a recolha possível.

Categorias com Maior Destaque em Portugal, 2024

CategoriaObservações
Vitaminas e MineraisMultivitaminas lideram vendas; consumo de magnésio duplicou desde 2013
Estimulantes de Cérebro e MemóriaCrescimento de quase 40% desde 2013
Plantas e Extratos de PlantasIncluem óleos essenciais e extratos diversos
Ácidos graxosO consumo de ómega-3 teve um aumento de 142% em relação a julho de 2024
Produtos com CBD (canabidiol)Crescimento de 81% de julho 2024 a julho 2025
Antioxidantes+ 74% (2024 a 2025)
Suplementos para o sistema imunitário+ 68% (2024 a 2025)
Suplementos para a saúde ocular+ 67% (2024 a 2025)
Suplementos para sono, stress e ansiedade+ 54% (2024 a 2025)

Fontes: CNN Portugal, 2024[10]. Grande Consumo.com, 2025[11]. ASAE – Suplementos Alimentares, 2021[12].

Entre os fatores que explicam o crescimento do consumo de suplementos, destacam-se:

  • Envelhecimento da população e procura por longevidade saudável;
  • Maior consciencialização sobre micronutrientes e saúde preventiva;
  • Prática de desporto e fadiga associada ao estilo de vida moderno;
  • Redução da prescrição médica de vitaminas, levando à compra direta;
  • Valorização da saúde junto das camadas mais jovens.

Saúde como investimento — não como despesa

A saúde é frequentemente vista como um custo. Mas e se fosse vista como um investimento?

Longevidade funcional e retorno económico

Populações saudáveis vivem mais, trabalham mais, produzem mais. Reduzem hospitalizações, reformas antecipadas, dependência institucional.

A prevenção não é apenas uma questão clínica — é uma questão económica!

Prevenção como estratégia nacional

Investir em saúde preventiva — incluindo suplementação, nutrição, exercício físico e literacia em saúde — pode gerar retorno direto para os países. Menos doenças crónicas, menos absentismo laboral, mais longevidade funcional. E mais contributo económico por parte das gerações mais velhas.

Evidência científica para a saúde, não só para a doença

Mas para se investir em saúde preventiva é preciso mudar o paradigma:

  1. A evidência científica precisa de olhar para a saúde antes da doença;
  2. Os governos precisam de financiar estudos sobre prevenção, não apenas sobre terapêutica;
  3. Os sistemas de saúde precisam de integrar suplementação com base em análises, em perfis hormonais, não em modas.

A longevidade saudável não é um luxo — é um direito, também uma estratégia inteligente para países que envelhecem rapidamente.

Quem está a desafiar o modelo dominante?

Medicina funcional e suplementação personalizada

Apesar do silêncio institucional, há vozes que desafiam o paradigma dominante. Médicos, investigadores e comunicadores científicos têm vindo a questionar o modelo centrado na medicação e a propor uma abordagem mais integrativa, preventiva e personalizada.

A medicina funcional, por exemplo, propõe uma leitura sistémica do corpo humano, onde a suplementação é usada com base em análises laboratoriais e em contexto clínico.

Autores como Mark Hyman, David Katz e Michael Greger têm defendido a nutrição como ferramenta terapêutica e a suplementação como aliada da prevenção.

No que concerne à importância da suplementação no suporte à Doença de Alzheimer, já apresentámos em artigo anterior a importância do Protocolo ReCODE e do trabalho do neurocientista Dale Bredesen.

Protocolo ReCODE para Alzheimer: Suplementos e Plantas ►

Lifestyle Medicine e as Blue Zones

Movimentos como a Lifestyle Medicine e os estudos sobre as Blue Zones mostram que longevidade saudável depende de múltiplos fatores: alimentação, movimento, propósito, relações sociais — e sim, suplementação quando necessária.

A Lifestyle Medicine (Medicina do Estilo de Vida) é um atendimento clínico baseado em evidências que apoia a mudança de comportamento por meio de técnicas centradas na pessoa.

É uma abordagem multidisciplinar e multisistémica assente em três princípios (reconhecer a necessidade de ação sobre os determinantes socioeconómicos da saúde; técnicas comprovadas para apoiar as pessoas a sustentar mudanças no estilo de vida; conhecimento dos “Seis Pilares da Medicina do Estilo de VidaBem-estar mental; Minimização de substâncias nocivas; Relacionamentos saudáveis; Alimentação saudável; Dormir; Actividade física).

Estudos emergentes e resistência institucional

A evidência está a emergir, ainda que lentamente. Estudos sobre vitamina D, ómega-3, probióticos e magnésio mostram benefícios em contextos específicos. Mas falta escala, financiamento e vontade política para transformar esta evidência emergente em prática clínica, talvez também alguma oposição e resistência da indústria farmacêutica.

Conclusão — da evidência à escolha

A saúde começa antes da doença

A nossa referência à «síndrome das evidências» não é apenas uma crítica ao modelo científico — é um convite à mudança.

Não se trata de rejeitar a medicação, mas de reconhecer que a saúde começa antes da doença. Que a prevenção merece estudo, investimento e credibilidade. Que a suplementação, quando bem orientada, pode ser uma aliada — não uma ameaça.

Que venha o debate, a investigação e a mudança

É tempo de abrir esta polémica e no ENVELHECERES não queremos olhar para o lado, sendo este artigo um ponto de partida.

É tempo de questionar o que se estuda, quem financia, e quem decide o que é válido. De exigir evidência para a prevenção, não apenas para a terapêutica. De olhar para a longevidade como um direito — e como uma estratégia nacional.

“A saúde não é apenas ausência de doença — é presença de escolha.”

A economia da saúde parece demasiado presa a uma economia da evidência de visão unidirecional. Que venha o debate, a investigação, e a mudança!

No ENVELHECERES, queremos abrir este debate com os leitores. Que testemunhos, experiências ou dúvidas tem sobre suplementação e prevenção? Partilhe connosco — porque a saúde começa na escolha.

Bibliografia

[1] Ana Canhestro e Marta Basto são enfermeiras de formação de base, ambas doutoradas, a primeira em enfermagem e a segunda em Psicologia. Canhestro, A. S.; Basto, M. L. (2016). «Envelhecer com Saúde: Promoção de Estilos de Vida Saudáveis no Baixo Alentejo». Revista Pensar Enfermagem, Vol. 20, N.º 1, Unidade de Investigação & Desenvolvimento em Enfermagem (ui&de), Unidade Integrada da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, pp. 27 – 51. http://pensarenfermagem.esel.pt/files/Artigo3_27_51.pdf

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Papiro_Ebers

[3] Redação Revista Amazônia (2025). «Qual a origem dos remédios que tomamos? Da natureza ao laboratório, a jornada dos medicamentos», Revista Amazônia, 3 de abril de 2025. https://revistaamazonia.com.br/historia-medicamentos-ciencia-e-natureza/

[4] DUARTE, Mafalda Sousa (2024).. Interações entre suplementos alimentares e medicamentos. Trabalho Final de Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas apresentado à Universidade de Lisboa através da Faculdade de Farmácia, pp. 17-18, https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10400.5/101269/1/MICF_Mafalda_Duarte.pdf

[5] Mestrado Integrado em Medicina. Plano Oficial 2021. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. https://sigarra.up.pt/fmup/pt/cur_geral.cur_planos_estudos_view?pv_plano_id=30724&pv_ano_lectivo=2025&pv_tipo_cur_sigla=&pv_origem=CUR

[6]Monitorização da despesa com medicamentos- Hospitalar, Infarmed, dezembro de 2024. https://www.infarmed.pt/documents/15786/10121749/dezembro/0334eaa9-c827-e16c-9fc5-7ada4bf9b07d?version=1.0

[7] Despesa do SNS com medicamentos subiu para 3.960 milhões. Utentes gastaram 920,4 milhões de euros, 29 mai, 2025. https://observador.pt/2025/05/29/despesa-do-sns-com-medicamentos-subiu-para-3-960-milhoes-utentes-gastaram-9204-milhoes-de-euros/

[8] Despesa dos utentes com medicamentos subiu 7,1% para 920,4 milhões de euros, 29 mai, 2025. https://rr.pt/noticia/pais/2025/05/29/despesa-dos-utentes-com-medicamentos-subiu-71-para-9204-milhoes-de-euros/427297/

[9] Mercado dos suplementos alimentares atinge 200 milhões de euros em 2023. https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/mercado-dos-suplementos-alimentares-atinge-200-milhoes-de-euros-em-2023/#goog_rewarded

[10] Venda de suplementos alimentares dispara 90%: cansaço e stress dos portugueses são alguns dos fatores para o aumento, CNN Portugal, 30 jul 2024. https://cnnportugal.iol.pt/suplementos-alimentares/farmacias/venda-de-suplementos-alimentares-dispara-90-cansaco-e-stress-dos-portugueses-sao-alguns-dos-fatores-para-o-aumento/20240730/66599c12d34ebf9bbb3e1f92

[11] Procura de suplementos alimentares em Portugal cresceu quase 22% no último ano, 06 ag. 2025. https://grandeconsumo.com/procura-de-suplementos-alimentares-em-portugal-cresceu-quase-22-no-ultimo-ano/

[12] ASAE (2021). Riscos e Alimentos nº 21 – Suplementos Alimentares. https://www.asae.gov.pt/ficheiros-externos-newsletter/riscos-e-alimentos-n-21-suplementos-alimentares1.aspx

Olá, sou Raul Jorge Marques

Formação Avançada pós-Universitária em Gerontologia Aplicada – Vertente Social e Clínica. Mestre em Geografia Humana – Desenvolvimento Regional. Licenciado em Geografia e em Geografia-Ramo de Formação Educacional. Consultor independente em desenvolvimento territorial e gerontologia aplicada. Coordenador Científico na ANIMAR, do Grupo de Trabalho Envelhecimento e Desenvolvimento Local, promovendo envelhecimento ativo e territórios inclusivos.

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